"Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão." (Isaías 40:31)
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
Então, é Natal
Que os presentes não venham somente com lindas embalagens, mas sejam recheados de amor, paz e generosidade. Que a união vá além de mesas postas, que a fartura não seja só de comes e bebes, mas que a vontade de fazer de cada dia um novo Natal prevaleça viva dentro de cada um de nós. Que o aniversariante de hoje, nosso Senhor Jesus Cristo, viva em nossos corações a cada minuto de nossas vidas. Que n...ão nos esqueçamos de agradecer a Ele por cada momento, por cada agrado que recebermos hoje, por cada pessoa que amamos e que está perto e mais ainda, por aqueles que não podem estar conosco, mas nos marcaram tanto que permanecem presentes em nossos corações.
Que a "noite feliz" seja multiplicada por todas as nossas noites, tardes e dias.
E que Ele viva! Que Ele brilhe! Que Ele reine!
(Luana Camargo)
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Desabafo
A cada dia me deparo com situações e pessoas que me entristecem. Não são necessariamente importantes para mim, mas acho que é importante pra qualquer pessoa ser verdadeiramente humano. Mas o que vejo é bem diferente, vejo pessoas que não dão a mínima para o resto do mundo, que só se importam com aquilo que as rodeia e que, pior do que isso sentem-se incomodadas com aqueles que querem “tentar mudar o mundo”, que querem abrir os olhos das pessoas, inclusive delas mesmas.
Só o que sei é que é muito cômodo e fácil ficar de braços cruzados em frente ao computador, usando Orkut, Twitter e afins, reclamando que o mundo não muda, mas quando alguém tenta lhe mostrar o que pode ser feito, reclamam, acham ruim, pedem pra parar. Parar com o que? Parar de ser consciente? Parar de querer fazer o bem e dividir isso com os outros? Parar de mostrar às pessoas o que pode ser feito para tentar transformar o mundo ao nosso redor e um pouco mais longe melhor? Sinto muito, mas eu não vou parar. Eu vou continuar sendo “chata”. E não é questão de ser politicamente correto ou não. Eu sou “chata” porque quero uma qualidade de vida melhor ao menos para mim e para aqueles que eu amo. E se quem eu amo também pensar assim, serão mais pessoas sendo ajudadas e ajudando. E se essas outras pessoas também pensarem da mesma maneira, o número de pessoas se multiplicará, cada vez mais.
Ser matriculado em uma faculdade (seja boa, mediana ou ruim) e freqüentar as aulas não é o suficiente, nem mesmo para se tornar um profissional. Não importa qual carreira se quer seguir, é necessário ser alguém humanizado. Mas muitos só terão convicção disso e só entenderão o que estou querendo dizer quando alguém que amam precisar de alguma ajuda. Ou pior, quando o próprio precisar de ajuda. Eu honestamente espero que não seja necessário chegar a esse ponto para que essas pessoas caiam em si e acordem para a realidade. A verdadeira realidade, não aquela de estudos, emprego, passeios, festas, amigos e bebedeiras.
Enfim, era isso que eu tinha a dizer. Não posso negar que teve uma influência pessoal. Aliás, se tornou algo pessoal e eu não queria isso. Mas a vida, nem mesmo a MINHA vida, é como imagino, portanto não tenho como controlar as pessoas e o que elas fazem. Às vezes não controlo nem a mim mesma! Rsrs
(Luana Camargo)
“E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano.” (Clarice Lispector)
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Metades de mim
Ando meio fora do compasso, meio fora de órbita, meio fora de mim.
Meio. Meia eu. Faltando pedaços. Faltando coragem de me recompor. Faltando.
Meia. Metade de mim querendo ser eu, por inteira.
(Monalisa Macêdo)
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Doze
“E que Dezembro traga com o vento os sorrisos que, por descuido, se perderam em Novembro.
Que o Sol brilhe forte, mas não mais que nosso olhar. Que as luzes de Natal alegrem, mas que possamos alegrar ainda mais. Que os fogos de artifício estourem no ar, mas que nossa esperança nos permita continuar a caminhar, a fim de sermos ouvidos e vistos como eles: iluminados, grandes e memoráveis.
Que o amor e a paz estejam presentes em todos os dias. E que o seu amor chegue, se ainda não chegou. Mas se ele já está, que permaneça. E que você encontre a paz em si mesmo. E que todos os dias você se olhe no espelho e sinta-se a mais especial das pessoas.”
(Luana Camargo)
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
É que eu te amo...
Dizem que a gente não pode perder o que a gente não tem. Está certo, é óbvio. E eu não te tenho, portanto nem ao menos corro o risco de te perder. Mas isso não ameniza nada. Eu não te tenho, mas você faz parte de mim, você é também aquilo que compõe quem eu sou. Você é o meu sorriso aberto, o brilho nos olhos, o pulsar do coração. E se eu te perder, vou perder parte de mim, parte daquilo que eu sou, que me faz ser eu.
Entende agora? Entende o medo? Entende o porquê de grudar em você, às vezes, tentando chamar sua atenção, ao mesmo tempo em que, outras vezes, me afasto, pra não me deixar perder em você, no seu riso, na sua voz, no seu espírito, que transcende o físico a fim de mostrar a todos como você é lindo, é puro, é perfeito. Um imperfeito, com seus defeitos, mas feito perfeitamente por Deus, para tornar meus dias perfeitamente felizes.
Eu não sei mais o que fazer. Só tenho vontade de gritar teu nome.
(Luana Camargo)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Bem simples
Tão bom. É o que posso dizer de como anda minha vida, minha rotina, meu dia-a-dia. Tudo tão bom, agradável, leve, calmo. A prova viva de que bons ventos sempre chegam, de que coisas se vão para que coisas eternamente melhores voltem, em dobro, triplo, quádruplo.
Sabe, vai chegando o fim do ano começa a passar um filmezinho na cabeça. Começo a pensar nas vezes que sorri, que chorei, quem “culpei” por ambos. Naqueles que permiti que não só entrassem na minha vida, como fizessem parte dela. Naqueles que lutei pra afastar, naqueles que não significavam nada, naqueles passaram a significar. Cheguei a pensar ter perdido tempo, mas não. Hoje vejo que ganhei. O tempo que supostamente perdi, com pessoas que me faziam mal e eu nem me dava conta, com fatos que supervalorizei quando não era necessário, na verdade me deixou preparada para as coisas boas, ótimas, que viriam. E agora agradeço a Deus por ter me permitido vivenciar tantas coisas, passar por tantas turbulências. Foi no meio de uma delas que aquilo que vendava meus olhos caiu, e pude ver as pessoas que estava deixando passar por minha vida sem lhes dar o devido valor, sem permitir que elas me conhecessem e que eu as conhecesse.
Tão bom. Tão bom ter permitido, tão bom ter conhecido, tão bom saber que existem pessoas de verdade, não meros seres que simplesmente estão, mas que sentem, que são. Tão bom saber que, mesmo demorado, eu consegui. Eu encontrei a amizade mais uma vez, eu encontrei mais gente, encontrei abrigo. Tão bom, ótimo, tão... maravilhoso! saber que ainda existem pessoas dignas de serem chamadas de amigo. Aquelas que te fazem sentir bem, te fazem sorrir, te permitem compartilhar coisas. Pessoas que você sabe que realmente te querem bem, assim como você quer a elas. Gente tão diferente de você, mas que te completa. Gente onde as atitudes, os gestos, as palavras, a simples presença se resume no mais sublime sentimento: amizade.
Obrigada. Obrigada por chegarem na hora certa e me fazerem acreditar que sempre há coisas boas nos esperando na esquina. Basta olhar pro lado e decidir dobrar a rua, descobrir um novo caminho, ao invés de continuar na linha reta que, normalmente, não chega muito longe.
A vida é um labirinto. A gente decide as curvas (ou os becos) por onde andar.
Dedico ao Dani e ao Gui. Não podiam chegar em melhor hora!
(Luana Camargo)
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
A mais covarde do mundo
"Promete que não conta a ninguém? Certo, eu tinha este sonho seguidamente. Eu ficava esperando muito tempo, até que o ônibus finalmente chegava. Eu estendia a mão, ele parava, e quando eu levantava o olhar pra checar a lotação, eu via você. Quer dizer, um cara. Mais ninguém, só você. E eu sabia. Simplesmente sabia que era você, que era ele. Que era minha vez de subir, que tinha um assento reserva...do com meu nome. Mas eu ficava paralisada, com vergonha e sem saber como agir, sem saber onde pôr as mãos. No fundo, eu tinha medo de subir porque eu teria de tomar a iniciativa, chamar atenção, fazer alguma coisa que fosse. Era mil vezes mais confortável enquanto eu esperava, esperava, esperava. Aí o ônibus arrancava e você, esse cara, girava o pescoço e ficava olhando pra trás, uma carinha linda de cão abandonado, até sumir na esquina. E eu ficava lá, parada, com os pés encravados no chão, vendo minha chance passar. Aí eu acordava ensopada de suor e me achando a mais covarde do mundo." (Gabito Nunes)
domingo, 2 de outubro de 2011
Ah se todo homem...
''Mulher gosta é de sexo'' Ah vai crescer, estudar, aprender, entender, respeitar, e compreender mais um pouquinho uma mulher. Porquê homem de verdade é aquele que vê suas qualidades, é aquele que sabe respeitar, que sabe entender, nem sempre é preciso entender, é claro. Afinal, toda mulher tem suas partes loucas. Mas vou lhe dizer viu, a mulher tem muito pra ensinar. Se você ao invés de querer aprender, prefere pensar que o sexo já te faz se sentir mais homem, você ainda não cresceu, não estudou, não aprendeu, não entendeu, e ainda não sabe respeitar. Ou seja, você não sabe de porcaria alguma, além de colocar o pau pra fora e fazer cara de tesão. Meu amigo, hoje em dia, os pirralhos de 11 anos já fazem isso.
Entender o que uma mulher quer não é dificil não viu? Amor, é fácil de dar. Basta querer, basta ter vontade. Sabe o que é amor né? Deixa eu te dizer... Amor é aquilo que não precisa aprender, nem entender, nem crescer, muito menos ter estudado pra saber. Amor é o que todo mundo quer, ou que pelo menos, é o que todo mundo merece. Sabe o que é difícil? Difícil é ter que entender a TPM. Porque elas explodem quando você faz xixi sem ter levantado a tampa do vaso. Difícil é entender, porque elas gostam de proteger tanto, porque elas gostam de flores. Porque usam maquiagem, batom, brincos, anéis, e um bando de coisa no corpo. Ah, mas você acha que elas gostam disso tudo pra quê? Pra receber uma porra de uma frase ''Mulher gosta é de sexo'', ou ''Eu quero te comer'', ou ''Vamos tranzar e pronto''? Mil favores né marmanjos! Não venham me dizer que algumas mulheres gostam dessa escrotisse. As mulheres que não querem respeitos, são as vádias e não as mulheres de verdade.
Entender o que uma mulher quer não é dificil não viu? Amor, é fácil de dar. Basta querer, basta ter vontade. Sabe o que é amor né? Deixa eu te dizer... Amor é aquilo que não precisa aprender, nem entender, nem crescer, muito menos ter estudado pra saber. Amor é o que todo mundo quer, ou que pelo menos, é o que todo mundo merece. Sabe o que é difícil? Difícil é ter que entender a TPM. Porque elas explodem quando você faz xixi sem ter levantado a tampa do vaso. Difícil é entender, porque elas gostam de proteger tanto, porque elas gostam de flores. Porque usam maquiagem, batom, brincos, anéis, e um bando de coisa no corpo. Ah, mas você acha que elas gostam disso tudo pra quê? Pra receber uma porra de uma frase ''Mulher gosta é de sexo'', ou ''Eu quero te comer'', ou ''Vamos tranzar e pronto''? Mil favores né marmanjos! Não venham me dizer que algumas mulheres gostam dessa escrotisse. As mulheres que não querem respeitos, são as vádias e não as mulheres de verdade.
(Iandê Albuquerque)
[Esta publicação é um trecho do que o livro ''Além do sol...'' irá trazer.]
sábado, 1 de outubro de 2011
Luto
Por quem luta, por quem sonha, por quem vive e busca.
Luto
Por quem canta, por quem anda, por quem alegra e emana o
Luto
Por uma nação, por um coração, pelo autor e pelo cantor da canção.
Luto
Por quem trabalha, por quem projeta, por aquela que ama e é amada.
Luto
Por que, por nós, ninguém luta.
(Luana Camargo)
In memorian.
sábado, 24 de setembro de 2011
Um relato feito por um homem
"Tudo bem, queremos meninas legais, sexy, saradas, bonitas, inteligentes e boazinhas! Muito fácil falar, pois quando aparece uma assim, de bandeja, a primeira coisa que a gente pensa é: oba, me dei bem!! ficamos com elas uma vez, duas. Começamos a pensar que essa é a mulher que as nossas mães gostariam de ter como noras. Se sair um relacionamento, vai ser uma relação estável. Você vai buscá-la na faculdade, vocês vão ao cinema, num barzinho. Tudo básico, até virar uma rotina sem graça, você vai olhar os caras bem vestidos e bem humorados indo pra noite arrasar com a mulherada e vai morrer de inveja. Vai sentir falta de dar aquelas cantadas infalíveis na noite, falta de dar umas olhadas pra uma gata, ou de dar aquela “dançadinha” mais provocativa na pista. Você pensa: acho que não estou pronto pra isso, pra me enclausurar pro resto da vida nesse relacionamento.E a boa menina se transforma numa mala, e aos poucos vai surgindo um nojo dela, uma aversão. Quando você vê o nome dela no celular, não dá vontade de atender... Já era. Aquela promessa da vida estável vai por água abaixo, se a menina não se dá conta, nós começamos a ser grosso, muito grosso. E a pobre menina pensa: o que eu fiz? Coitada, ela não fez nada, a culpa é nossa mesmo. Aí, voltamos pra nossa vidinha que nós tanto odiávamos até semanas atrás. Não vemos a hora de sair e arrasar na noite, ou pegar aquela mulher gostosona que sempre quisemos. Grande desilusão. Por mais que não queira, você pensa na sua menina boazinha que você deixou para trás. Ela podia ter seus defeitos, mas era uma menina legal, que ficaria ao seu lado te dando valor. Enquanto isso a boa menina, chateada, lesada custa a entender o que ela fez pra ter te afastado dela, aí essa dúvida vira angústia, que vira raiva. A menina manda tudo à puta que pariu! Não quer mais saber de nada, só de sair, zuar, dançar e beijar outros caras. Resolve então não se envolver mais, para não sair lesada ou chateada, muito bem! Acabamos de criar uma monstra. O tempo passa e nós continuamos na mesma, volta a reclamar da vida e das mulheres, elas só querem as coisas com homens cachorros, ou será que nós é que fomos cachorros? Elas são assim por nossa culpa. A mulher da night de hoje, era a boa menina de outro homem ontem, e assim sucessivamente. Provavelmente essa nossa ex-boa menina, deve estar enlouquecendo a cabeça de outro homem por aí. Eu a perdi para sempre, ela virou uma mulher enlouquecedora... Eu a encontrei na balada, e ela? Nem me olhou... Mas estava mais linda do que nunca!!!"
(Texto postado na página do Facebook “Ele com Elas”)
domingo, 11 de setembro de 2011
![]() |
| Foto retirada do blog: http://tatyconquistando.blogspot.com/2011/03/abraco.html |
Bordei minha felicidade, com os beijos daquele moço...
E a cada toque dele, se abria mais meu coração.
Pintei dias bonitos com o sorriso daquele menino, que passou a morar no meu peito, e trouxe pra minha vida mais flores e mais sol.
Colhi alegrias cada vez que os olhos dele pararam nos meus.
Brilhei inteira, com uma luz que vinha lá da alma.
Senti cheiro de paz. De tranquilidade.
Ele guardou no bolso dele as esperas, a saudade, e as lágrimas que doíam.
E me jurou nunca mais me devolver. Daria fim nelas. E um começo lindo pra nós dois, todos os dias. A noite foi chegando, e eu amanhecendo dentro do abraço dele!
(Karla Tabalipa)
domingo, 4 de setembro de 2011
Menina
“Certas coisas me fazem ver que, não importa o quanto eu tente mudar, disfarçar, crescer, eu ainda sou menina, tenho muito que aprender.”
(Luana Camargo)
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
"Dizem que sou louco..."
"Eu gosto mesmo é de gente louca, esquisita, e não de gente fajuta.
Gosto da cabeça bagunçada, do maluco beleza, e não de santinho do pau oco hipócrita."
(Fernanda Estellita)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Você, você, você, você, você
Bom, resumindo é isso: você, você, você, você, você. Mas se você não me quisesse de verdade, já teria me falado alguma coisa. Mas como a gente mal troca uns resmungos e cumprimentos formais, a hipótese fica aberta. Sabe, estou sempre sentado estrategicamente a 30° de inclinação do eixo do meu mundo, que ultimamente, não sei a causa, tem sido você.
Daqui da janela faço as contas sobre quantas vezes você refaz a trança nos seus intermináveis cabelos cor-de-sol. Observo daqui cada vez que a alça delicada das suas blusas descobrem a pele branquinha e sardenta do ombro, o mesmo ombro que você faz questão de manter sempre erguido, pra no caso de uma borboleta resolver pousar, quem sabe.
Quando você fica muito tempo sem olhar para os lados, me distraio olhando um pouco o movimento da rua, tentando mudar a paisagem a fim de evitar ter um treco e morrer de overdose no meio da sala de aula. Vez que outra, me ponho no meu lugar, e daqui mesmo sussurro toda minha paixão esfuziante por você, pequena.
E acabo achando graça em constatar que isso começou quando notei que você era a última pessoa que ainda come aqueles salgadinhos integrais de queijo em todo o campus. Você tem um jeitinho de falar bonito que fica ainda mais bonito porque não o desperdiça debatendo por que os homens são tão ruins em se comprometer. Você quer saber de outras coisas, como aqueles livros que ninguém mais tem coragem de remover o pó, na biblioteca - aliás, estou juntando forças pra perguntar, hora dessas: "Os Sofrimentos do Jovem Werther" é realmente bom?
Daqui da janela faço as contas sobre quantas vezes você refaz a trança nos seus intermináveis cabelos cor-de-sol. Observo daqui cada vez que a alça delicada das suas blusas descobrem a pele branquinha e sardenta do ombro, o mesmo ombro que você faz questão de manter sempre erguido, pra no caso de uma borboleta resolver pousar, quem sabe.
Quando você fica muito tempo sem olhar para os lados, me distraio olhando um pouco o movimento da rua, tentando mudar a paisagem a fim de evitar ter um treco e morrer de overdose no meio da sala de aula. Vez que outra, me ponho no meu lugar, e daqui mesmo sussurro toda minha paixão esfuziante por você, pequena.
E acabo achando graça em constatar que isso começou quando notei que você era a última pessoa que ainda come aqueles salgadinhos integrais de queijo em todo o campus. Você tem um jeitinho de falar bonito que fica ainda mais bonito porque não o desperdiça debatendo por que os homens são tão ruins em se comprometer. Você quer saber de outras coisas, como aqueles livros que ninguém mais tem coragem de remover o pó, na biblioteca - aliás, estou juntando forças pra perguntar, hora dessas: "Os Sofrimentos do Jovem Werther" é realmente bom?
Eu sei que você vai a festas também. Mesmo sonhando, é bem complicado conhecer alguém em páginas de literatura. Mas ultimamente as festas tem sido tão ruins que a parte mais badalada é quando, no seu quarto, você forma um arco-íris de vestidos em cima da cama. E testa cada um frontalmente, dependurando o cabide sobrepondo o sutiã de algodão, sempre sem enchimentos artificiais, com muito orgulho.
E para um pouco em frente ao espelho de corpo inteiro, com as pernas tortinhas e os pés bem juntos, modelando tudo. Mas não pergunta coisas como se existe alguém mais bela, você já sabe que sim. Fica li, desafiando você mesma, querendo saber o que, afinal de contas você quer. Não pra essa noite, mas pro resto da vida. Mas é só uma suposição, nunca estive lá, só gosto de imaginar assim.
Às vezes, você tem uma coisa, sei lá, de achar que está com falta de ar. E obriga o colega próximo a medir seus pulsos todo assustado. É que ninguém mais sabe que seu corpo exige atenção especial - até que é engraçado. Sabe, não sei tudo que você quer, mas sei que você pede quieta para, pelo menos uma vez, que um rapaz faça sexo contigo totalmente apaixonado. Que eu vou trabalhar duro pra ser esse rapaz, disso eu sei.
Por esta razão fico à espreita, te esperando descruzar os braços. Isso, vai, anda com os ombros sempre bem erguidos. Faz a borboleta ter vontade de pousar. E você nem desconfia que agora mesmo existe alguém de olho em coisas que nem você sabe. Alguém que sonha um dia te contar sobre seus próprios segredos - esses capazes de deixar qualquer um com toda vontade de pousar no seu ombro. E te adorar com todos os dentes.
(Gabito Nunes)
sábado, 20 de agosto de 2011
Sensatez
Cirurgia de lipoaspiração?
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode. Envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas…
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode. Envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas…
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
(Herbert Vianna)
domingo, 31 de julho de 2011
"Vem, cara, me repara"
Pode vir, sem medo. Já lhe abri a porta, basta entrar.
Venha, não fique aí parado. Já disse, não precisa ter medo. Dizem que sou forte, mas só quando necessário. Não vou lhe machucar. No fundo, sou mesmo menina. Preciso que venha pra cuidar de mim.
Venha, não é difícil, nem sou assim tão misteriosa quanto pareço. Sou transparente, mas só para quem merece ver. E eu sei que você merece, sei que você quer. Sei, porque somos iguais. Pequenos.
Venha, sei que quer entrar. Me tome, beba, engula.
Veja, tudo isso é meu, mas posso repartir. E escolhi você pra isso.
Não se esconda. Nem me esconda. Participe. Faça. Seja. Viva também em meu mundo. Me deixe viver o seu. E não se perca de mim, dentro de ti. E não se perca de ti, dentro de si próprio, nem se perca em mim.
Viu, não sou tão complicada. Não vivo de segredos. Só de mim. Do meu mundo, que pode ser seu, se quiser. Assim como quero que você seja meu, seja dele, viva em mim, viva nele, viva em si próprio, sendo assim, quem és, sem segredos, sem esconderijos.
Venha, sei que quer entrar. Me tome, beba, engula. E se tome, se beba, engula. Sacie-se para me saciar.
“Só não se perca ao entrar no meu infinito particular.”
(Luana Camargo – Última frase retirada da música de Marisa Monte)
Medo
Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar às aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.
(Fabrício Carpinejar)
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Pulsante
A menina sabia o que estava acontecendo, mas não podia parar. Ela ia, caminhava, tentando se distrair e disfarçar a dor. Ela precisava de ajuda e sabia disso, mas não queria. Admitia que chorar era um mal necessário, mas dentro de si havia uma paz e uma alegria que soavam ironicamente.
E continuava andando sem saber pra onde estava indo. Só importava ir, não parar. Deixava o rastro de seu sangue pingando pelo chão. Ao redor parecia deserto, vazio. Sentia-se sozinha.
Ele à tinha tomado nas mãos. Ele havia pego o seu melhor. Ele recolheu seu coração com mãos acalentadoras e, um belo dia, o esmagou. Agora ele estava ali, nas mãos da menina, que já não o sentia pulsar dentro de si, mas podia ver, podia ouvir.
Ela não sabia o que fazer. Sozinha não podia, mas não havia ninguém que parecesse saber realmente como ajudar. Muitos tentavam estancar a ferida, mas o curativo ensopa e o sangue volta a pingar.
Então a menina resolveu que é hora de parar. Senta-se no chão. Desembrulha o coração. Observa. Ele pulsa, tentando e querendo resistir. E ela, que não sabe o que fazer, continua ali, só olhando.
E ele pulsa, forte, quase um grito de desespero, sabendo que esse é só o começo. Ele vai voltar pra dentro dela, vai sorrir com ela, e ela vai desejar que ele pare outras vezes.
Luana Camargo
Dedico a ela. E a todas que se sentem assim. Porque só nós sabemos quão forte é a nossa dor.
domingo, 17 de julho de 2011
Paixão de vinte minutos
E me chega assim, e se senta aqui, e me olha assim. E toma nas mãos o principal motivo que chamou minha atenção: violão! E vai, de mansinho, começando bem baixinho, pra que só eu possa ouvir. Na hora me ganha. Não é preciso mais nada. Dispensa qualquer coisa que poderia ser dita. Fecho os olhos e parece que nada mais existe. Só eu e o som. A música.
O coração começa a bater ritmado, compassado. O sangue começa a falar mais alto e logo reconheço. Não sei como, mas acertou. O mistério, o instrumento, a música.
Abro os olhos e é quase impossível me controlar. Vontade de ficar ali, pra sempre. E é quando me surpreendo novamente, ao ouvir a sua voz. E que voz! De onde você veio, para onde você vai? Posso ir também?
E no meio da multidão, você some. Vamos, separados, outros lugares. Temos que ir. Pra onde? Volte e toque, como nunca tocou antes. Toque mais, toque sempre! Pra que eu possa ouvir. Mas você não está mais. Miragem?
Ainda assim, pelo resto do dia eu pude ouvir. O som, a música, a voz.
Flamenco!
(Luana Camargo)
Libertação
Hoje eu quero colocar tudo na mesa. Todas as cartas serão dadas. Quero me livrar, me libertar de mim.
Eu me prendo. Eu sempre me prendi. A coisas que eu penso, que eu sinto, e até que eu imagino. A coisas que os outros pensam, que os outros sentem, que os outros imaginam.
Quero me erguer. Sei que posso. Vou me colocar no topo, em um lugar onde eu possa ver a mais bela paisagem, onde eu possa sentir o tempo passar em mim, onde eu possa ser.
Muitos vão tentar me tirar de lá, eu sei. Talvez até eu mesma tenha ainda a vontade de saltar no nada, de me afogar, de não mais me sentir. Mas eu sempre vou voltar.
Outras vezes eu já disse que penso gostar de me machucar. Não no sentido masoquista, auto-mutilação. Mas me magoando. Procurando motivos pra chorar. Me colocando cada vez mais no fundo.
Só que eu cansei. Não quero mais. Eu bem sei que não vou conseguir estabilidade emocional. Sei que vou me derrubar ainda muitas vezes. Sei que VÃO me destruir, vão me quebrar, vão me rasgar. Sei que vou sangrar. Sei que vou chorar. Mas agora é diferente. Agora eu sei que posso continuar de pé. Sei que consigo cair e levantar. Os machucados, as cicatrizes vão ficar. Vão me fazer lembrar os motivos, as pessoas, lembrar de mim. Não vão me deixar esquecer quem eu fui, quem eu sou, quem eu quero ser.
As lágrimas rolaram. Caíram. Queimaram. Durante anos e anos foi assim. Mas eu desisto da infelicidade. Eu quero sorrir independente de qualquer coisa que possa acontecer, de qualquer coisa que me digam ou queiram me fazer pensar. Eu quero e VOU acreditar. Na vida. Em mim. Em Deus.
Eu continuo aqui por isso. Eu vou subindo, vou me reerguendo, mesmo depois dos tapas na cara, mesmo que outros venham atrás de mim querendo me puxar pra baixo mais uma vez.
Não, eu não tenho mais medo de me arriscar. Eu vou atrás. E quem quiser que venha também. Trago comigo somente a força: de quem me ama e de quem me criou. Criador e criatura.
Por isso, pode continuar. Fale, faça, pense o que quiser sobre mim, sobre o que eu faço, sobre o que eu digo. Me derrube. Me deixe marcada. Pare e assista enquanto eu sangro. E admire boquiaberto enquanto eu levanto, enquanto eu me curo, enquanto eu cresço.
(Luana Camargo)
sábado, 16 de julho de 2011
Feias bonitas
Ficar bonitinha, muitas conseguem, mas ter algo é para poucas. Não dá para encomendar num consultório de cirurgia plástica.
Se você não é nenhuma Gisele Bündchen, não há motivo para se desesperar em frente ao espelho. Quem dera ser uma deusa, mas não sendo, há chance de ser incluída no time das interessantes. Junte nove lindas e uma mulher interessante e será ela quem vai se destacar entre as representantes do marasmo estético. Perfeição, você sabe, entedia.
Mulher interessante é aquela que não nasceu com tudo no lugar, a não ser a cabeça - e, às vezes, nem isso, pois as malucas também têm um charme diabólico. A mulher interessante não é propriamente bonita, mas tem personalidade, tem postura, tem um enigma no fundo dos olhos, uma malícia que inquieta a todos quando sorri - e um nariz diferente. São também conhecidas como feias bonitas.
Eu poderia citar um batalhão de feias bonitas que, aqui no Brasil, são públicas e notórias, mas vá que elas não considerem isso um elogio. Então vou dar um exemplo clássico que vive a quilômetros de distância: Sarah Jessica Parker. É uma feia lindona. Uma feia classuda. Uma feia surpreendente. Adoro este tipo de visual. Mulheres com rostos difíceis de classificar, que não se enquadram em nenhum padrão.
Quando Meryl Streep estreou como coadjuvante em Manhattan, filme de Woody Allen, chamou a atenção não só pelo talento, mas pelo seu ar blasé, seu porte altivo e uma sobrancelha que arqueava interrogativamente, como se perguntasse: e aí, você já decidiu se lhe agrado ou não? Paralisante.
Esse gênero de mulher não figura nos anúncios da Lancôme e não possui um rosto desenhado com fita métrica: olhos, boca e nariz a uma distância equilibrada um dos outros. Nada disso. A feia bonita é aquela que não causa uma excelente impressão à primeira vista. Ao contrário, causa estranhamento. As pessoas se questionam. O que é que essa mulher tem? Ela tem algo. Pronome indefinido: algo.
Ficar bonitinha, muitas conseguem, mas ter algo é para poucas. Não dá para encomendar num consultório de cirurgia plástica. Não adianta musculação, dieta, hidratantes. Feias bonitas têm a boca larga demais. Ou um leve estrabismo. Ou um nariz adunco. Ou seja, este algo que elas têm é algo errado. Mas que funciona escandalosamente bem.
E há aquelas que não têm nada de errado, mas também nada de relevante. Um zero a zero completo, e ainda assim se destacam. Um exemplo? Aquela menina que atuou em Homem-Aranha e Maria Antonieta, a Kirsten Dunst. Jamais será uma Michelle Pfiefer, mas a menina tem algo. Quem dera esse algo fosse vendido em frascos nos freeshops da vida.
Se o fato de ser uma feia bonita é, digamos, uma ótima compensação, ser um feio bonito é o prêmio máximo. Não sei se você concorda, mas eles são mais atraentes que os bonitos bonitos. Não que seja tolerável um narigão num homem: ele tem que ter um! Nada de baby face. É obrigatório uma cicatriz, ou um queixo pronunciado, um olhar caído. Você está lembrando de um monte de cafajestes, eu sei. Ou de um monte de italianos. É esse tipo mesmo, você pegou o espírito da coisa.
Feias bonitas e feios bonitos tornam a vida mais generosa, democrática, divertida e interessante. Não podemos ter tudo, mas algo se pode ter.
Se você não é nenhuma Gisele Bündchen, não há motivo para se desesperar em frente ao espelho. Quem dera ser uma deusa, mas não sendo, há chance de ser incluída no time das interessantes. Junte nove lindas e uma mulher interessante e será ela quem vai se destacar entre as representantes do marasmo estético. Perfeição, você sabe, entedia.
Mulher interessante é aquela que não nasceu com tudo no lugar, a não ser a cabeça - e, às vezes, nem isso, pois as malucas também têm um charme diabólico. A mulher interessante não é propriamente bonita, mas tem personalidade, tem postura, tem um enigma no fundo dos olhos, uma malícia que inquieta a todos quando sorri - e um nariz diferente. São também conhecidas como feias bonitas.
Eu poderia citar um batalhão de feias bonitas que, aqui no Brasil, são públicas e notórias, mas vá que elas não considerem isso um elogio. Então vou dar um exemplo clássico que vive a quilômetros de distância: Sarah Jessica Parker. É uma feia lindona. Uma feia classuda. Uma feia surpreendente. Adoro este tipo de visual. Mulheres com rostos difíceis de classificar, que não se enquadram em nenhum padrão.
Quando Meryl Streep estreou como coadjuvante em Manhattan, filme de Woody Allen, chamou a atenção não só pelo talento, mas pelo seu ar blasé, seu porte altivo e uma sobrancelha que arqueava interrogativamente, como se perguntasse: e aí, você já decidiu se lhe agrado ou não? Paralisante.
Esse gênero de mulher não figura nos anúncios da Lancôme e não possui um rosto desenhado com fita métrica: olhos, boca e nariz a uma distância equilibrada um dos outros. Nada disso. A feia bonita é aquela que não causa uma excelente impressão à primeira vista. Ao contrário, causa estranhamento. As pessoas se questionam. O que é que essa mulher tem? Ela tem algo. Pronome indefinido: algo.
Ficar bonitinha, muitas conseguem, mas ter algo é para poucas. Não dá para encomendar num consultório de cirurgia plástica. Não adianta musculação, dieta, hidratantes. Feias bonitas têm a boca larga demais. Ou um leve estrabismo. Ou um nariz adunco. Ou seja, este algo que elas têm é algo errado. Mas que funciona escandalosamente bem.
E há aquelas que não têm nada de errado, mas também nada de relevante. Um zero a zero completo, e ainda assim se destacam. Um exemplo? Aquela menina que atuou em Homem-Aranha e Maria Antonieta, a Kirsten Dunst. Jamais será uma Michelle Pfiefer, mas a menina tem algo. Quem dera esse algo fosse vendido em frascos nos freeshops da vida.
Se o fato de ser uma feia bonita é, digamos, uma ótima compensação, ser um feio bonito é o prêmio máximo. Não sei se você concorda, mas eles são mais atraentes que os bonitos bonitos. Não que seja tolerável um narigão num homem: ele tem que ter um! Nada de baby face. É obrigatório uma cicatriz, ou um queixo pronunciado, um olhar caído. Você está lembrando de um monte de cafajestes, eu sei. Ou de um monte de italianos. É esse tipo mesmo, você pegou o espírito da coisa.
Feias bonitas e feios bonitos tornam a vida mais generosa, democrática, divertida e interessante. Não podemos ter tudo, mas algo se pode ter.
(Martha Medeiros)
domingo, 5 de junho de 2011
Sensações
DICA: antes de começar a ler, vá até o fim do post e dê play no vídeo. Trata-se da música que me levou a fazer este texto, então sugiro que leia enquanto a ouve.
Mostre aquilo que eu preciso. Prove que você é capaz. Satisfaça meu íntimo, mas sendo quem você é.
Sente-se e sinta. É capaz de ouvir? O que há em mim? O que pulsa? O que bate? O que grita, o que chama? Será que te chama?
Se consegue ouvir, fique. Relaxe. Acomode-se e fique a vontade. Passeie por mim. Olhe em meus olhos e veja. O que eles te dizem? O que te mostram? Você consegue ver além deles? Consegue ver mais que sua cor?
Se já entrou em mim, procure. Descubra o que há por baixo da pele clara. Lá dentro, na alma, no espírito. O que você pode ver? O que há escrito? Pode ler? Em voz alta? E você pode ir além, pode entender? Pode dizer que sim? Pode responder e corresponder?
Pense bem e não me faça sofrer. Mas se acha que pode, fique. Traga o que tiver que trazer. E quando chegar coloque a mala no chão, corra em minha direção e me arrebate. Feche a porta, tranque-a e jogue fora a chave. Me diga que não precisaremos mais dela, pois você não fugirá e também não me fará partir.
Mostre as fotos do que encontrou pelo caminho enquanto vinha. Conte-me cada detalhe que foi capaz de analisar, de perceber, de entender. Prove com palavras, atitudes e gestos que decifrou minha interrogação. E vá além. Veja até aquilo que eu não sou capaz ver em mim mesma. Me desenhe de olhos fechados. Dentro e fora. Indique a direção, pegue em minha mão e me ajude a seguir o rumo, independente do fluxo. E quando chegarmos lá, apenas olhe em meu rosto, mexa em meu cabelo e diga: Valeu à pena amar você.
(Luana Camargo)
sábado, 4 de junho de 2011
Despedida

Já não dá mais pra manter nenhum restinho de você em minha vida. Passou a ser insuportavelmente irritante.
Engraçado como as coisas mudam, né? Um dia você foi o cara mais bacana, mais legal, mais alegre, com quem eu mais queria estar. Me fazia bem, me alegrava, era como se preenchesse meu dia com a alegria e o bom humor que faltavam. Hoje não. Hoje sou completa por mim e só. Sou alegre na medida certa, meu humor varia conforme a pessoa mereça. E sua alegria, seu bom humor, passaram a ser falsos pra mim.
Aquilo que eu mais admirava, hoje eu desprezo. Aquele que eu dizia de boca cheia: “Te adoro!” hoje eu evito olhar no rosto. Não suporto, me dá raiva, não sei, um misto de sentimentos, todos ruins, que fazem mal unicamente a mim. E é exatamente por isso que te evito.
Então, por favor, prefiro que também aja assim comigo, se não for pedir muito. Prefiro o desprezo mútuo, a rejeição mútua, do que ser sempre a única que se entrega ou foge. Ama ou odeia. Então, como um dia desejei que me quisesse, hoje quero que me desqueira. Inclusive minha amizade. Esqueça. Esqueça tudo. Esqueça inclusive que um dia lhe entreguei aquilo que se passa dentro de mim, do meu íntimo. Esqueça de mim.
(Luana Camargo)
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