A menina sabia o que estava acontecendo, mas não podia parar. Ela ia, caminhava, tentando se distrair e disfarçar a dor. Ela precisava de ajuda e sabia disso, mas não queria. Admitia que chorar era um mal necessário, mas dentro de si havia uma paz e uma alegria que soavam ironicamente.
E continuava andando sem saber pra onde estava indo. Só importava ir, não parar. Deixava o rastro de seu sangue pingando pelo chão. Ao redor parecia deserto, vazio. Sentia-se sozinha.
Ele à tinha tomado nas mãos. Ele havia pego o seu melhor. Ele recolheu seu coração com mãos acalentadoras e, um belo dia, o esmagou. Agora ele estava ali, nas mãos da menina, que já não o sentia pulsar dentro de si, mas podia ver, podia ouvir.
Ela não sabia o que fazer. Sozinha não podia, mas não havia ninguém que parecesse saber realmente como ajudar. Muitos tentavam estancar a ferida, mas o curativo ensopa e o sangue volta a pingar.
Então a menina resolveu que é hora de parar. Senta-se no chão. Desembrulha o coração. Observa. Ele pulsa, tentando e querendo resistir. E ela, que não sabe o que fazer, continua ali, só olhando.
E ele pulsa, forte, quase um grito de desespero, sabendo que esse é só o começo. Ele vai voltar pra dentro dela, vai sorrir com ela, e ela vai desejar que ele pare outras vezes.
Luana Camargo
Dedico a ela. E a todas que se sentem assim. Porque só nós sabemos quão forte é a nossa dor.

AMEI, POSTEI NO MEU! TE AMO!
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