Hoje eu quero colocar tudo na mesa. Todas as cartas serão dadas. Quero me livrar, me libertar de mim.
Eu me prendo. Eu sempre me prendi. A coisas que eu penso, que eu sinto, e até que eu imagino. A coisas que os outros pensam, que os outros sentem, que os outros imaginam.
Quero me erguer. Sei que posso. Vou me colocar no topo, em um lugar onde eu possa ver a mais bela paisagem, onde eu possa sentir o tempo passar em mim, onde eu possa ser.
Muitos vão tentar me tirar de lá, eu sei. Talvez até eu mesma tenha ainda a vontade de saltar no nada, de me afogar, de não mais me sentir. Mas eu sempre vou voltar.
Outras vezes eu já disse que penso gostar de me machucar. Não no sentido masoquista, auto-mutilação. Mas me magoando. Procurando motivos pra chorar. Me colocando cada vez mais no fundo.
Só que eu cansei. Não quero mais. Eu bem sei que não vou conseguir estabilidade emocional. Sei que vou me derrubar ainda muitas vezes. Sei que VÃO me destruir, vão me quebrar, vão me rasgar. Sei que vou sangrar. Sei que vou chorar. Mas agora é diferente. Agora eu sei que posso continuar de pé. Sei que consigo cair e levantar. Os machucados, as cicatrizes vão ficar. Vão me fazer lembrar os motivos, as pessoas, lembrar de mim. Não vão me deixar esquecer quem eu fui, quem eu sou, quem eu quero ser.
As lágrimas rolaram. Caíram. Queimaram. Durante anos e anos foi assim. Mas eu desisto da infelicidade. Eu quero sorrir independente de qualquer coisa que possa acontecer, de qualquer coisa que me digam ou queiram me fazer pensar. Eu quero e VOU acreditar. Na vida. Em mim. Em Deus.
Eu continuo aqui por isso. Eu vou subindo, vou me reerguendo, mesmo depois dos tapas na cara, mesmo que outros venham atrás de mim querendo me puxar pra baixo mais uma vez.
Não, eu não tenho mais medo de me arriscar. Eu vou atrás. E quem quiser que venha também. Trago comigo somente a força: de quem me ama e de quem me criou. Criador e criatura.
Por isso, pode continuar. Fale, faça, pense o que quiser sobre mim, sobre o que eu faço, sobre o que eu digo. Me derrube. Me deixe marcada. Pare e assista enquanto eu sangro. E admire boquiaberto enquanto eu levanto, enquanto eu me curo, enquanto eu cresço.
(Luana Camargo)

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