domingo, 5 de junho de 2011

Sensações

 DICA: antes de começar a ler, vá até o fim do post e dê play no vídeo. Trata-se da música que me levou a fazer este texto, então sugiro que leia enquanto a ouve.


Mostre aquilo que eu preciso. Prove que você é capaz. Satisfaça meu íntimo, mas sendo quem você é.
Sente-se e sinta. É capaz de ouvir? O que há em mim? O que pulsa? O que bate? O que grita, o que chama? Será que te chama?
Se consegue ouvir, fique. Relaxe. Acomode-se e fique a vontade. Passeie por mim. Olhe em meus olhos e veja. O que eles te dizem? O que te mostram? Você consegue ver além deles? Consegue ver mais que sua cor?
Se já entrou em mim, procure. Descubra o que há por baixo da pele clara. Lá dentro, na alma, no espírito. O que você pode ver? O que há escrito? Pode ler? Em voz alta? E você pode ir além, pode entender? Pode dizer que sim? Pode responder e corresponder?
Pense bem e não me faça sofrer. Mas se acha que pode, fique. Traga o que tiver que trazer. E quando chegar coloque a mala no chão, corra em minha direção e me arrebate. Feche a porta, tranque-a e jogue fora a chave. Me diga que não precisaremos mais dela, pois você não fugirá e também não me fará partir.
Mostre as fotos do que encontrou pelo caminho enquanto vinha. Conte-me cada detalhe que foi capaz de analisar, de perceber, de entender. Prove com palavras, atitudes e gestos que decifrou minha interrogação. E vá além. Veja até aquilo que eu não sou capaz ver em mim mesma. Me desenhe de olhos fechados. Dentro e fora. Indique a direção, pegue em minha mão e me ajude a seguir o rumo, independente do fluxo. E quando chegarmos lá, apenas olhe em meu rosto, mexa em meu cabelo e diga: Valeu à pena amar você.
(Luana Camargo)

sábado, 4 de junho de 2011

Despedida



Já não dá mais pra manter nenhum restinho de você em minha vida. Passou a ser insuportavelmente irritante.

Engraçado como as coisas mudam, né? Um dia você foi o cara mais bacana, mais legal, mais alegre, com quem eu mais queria estar. Me fazia bem, me alegrava, era como se preenchesse meu dia com a alegria e o bom humor que faltavam. Hoje não. Hoje sou completa por mim e só. Sou alegre na medida certa, meu humor varia conforme a pessoa mereça. E sua alegria, seu bom humor, passaram a ser falsos pra mim.

Aquilo que eu mais admirava, hoje eu desprezo. Aquele que eu dizia de boca cheia: “Te adoro!” hoje eu evito olhar no rosto. Não suporto, me dá raiva, não sei, um misto de sentimentos, todos ruins, que fazem mal unicamente a mim. E é exatamente por isso que te evito.

Então, por favor, prefiro que também aja assim comigo, se não for pedir muito. Prefiro o desprezo mútuo, a rejeição mútua, do que ser sempre a única que se entrega ou foge. Ama ou odeia. Então, como um dia desejei que me quisesse, hoje quero que me desqueira. Inclusive minha amizade. Esqueça. Esqueça tudo. Esqueça inclusive que um dia lhe entreguei aquilo que se passa dentro de mim, do meu íntimo. Esqueça de mim.

(Luana Camargo)