"Tudo bem, queremos meninas legais, sexy, saradas, bonitas, inteligentes e boazinhas! Muito fácil falar, pois quando aparece uma assim, de bandeja, a primeira coisa que a gente pensa é: oba, me dei bem!! ficamos com elas uma vez, duas. Começamos a pensar que essa é a mulher que as nossas mães gostariam de ter como noras. Se sair um relacionamento, vai ser uma relação estável. Você vai buscá-la na faculdade, vocês vão ao cinema, num barzinho. Tudo básico, até virar uma rotina sem graça, você vai olhar os caras bem vestidos e bem humorados indo pra noite arrasar com a mulherada e vai morrer de inveja. Vai sentir falta de dar aquelas cantadas infalíveis na noite, falta de dar umas olhadas pra uma gata, ou de dar aquela “dançadinha” mais provocativa na pista. Você pensa: acho que não estou pronto pra isso, pra me enclausurar pro resto da vida nesse relacionamento.E a boa menina se transforma numa mala, e aos poucos vai surgindo um nojo dela, uma aversão. Quando você vê o nome dela no celular, não dá vontade de atender... Já era. Aquela promessa da vida estável vai por água abaixo, se a menina não se dá conta, nós começamos a ser grosso, muito grosso. E a pobre menina pensa: o que eu fiz? Coitada, ela não fez nada, a culpa é nossa mesmo. Aí, voltamos pra nossa vidinha que nós tanto odiávamos até semanas atrás. Não vemos a hora de sair e arrasar na noite, ou pegar aquela mulher gostosona que sempre quisemos. Grande desilusão. Por mais que não queira, você pensa na sua menina boazinha que você deixou para trás. Ela podia ter seus defeitos, mas era uma menina legal, que ficaria ao seu lado te dando valor. Enquanto isso a boa menina, chateada, lesada custa a entender o que ela fez pra ter te afastado dela, aí essa dúvida vira angústia, que vira raiva. A menina manda tudo à puta que pariu! Não quer mais saber de nada, só de sair, zuar, dançar e beijar outros caras. Resolve então não se envolver mais, para não sair lesada ou chateada, muito bem! Acabamos de criar uma monstra. O tempo passa e nós continuamos na mesma, volta a reclamar da vida e das mulheres, elas só querem as coisas com homens cachorros, ou será que nós é que fomos cachorros? Elas são assim por nossa culpa. A mulher da night de hoje, era a boa menina de outro homem ontem, e assim sucessivamente. Provavelmente essa nossa ex-boa menina, deve estar enlouquecendo a cabeça de outro homem por aí. Eu a perdi para sempre, ela virou uma mulher enlouquecedora... Eu a encontrei na balada, e ela? Nem me olhou... Mas estava mais linda do que nunca!!!"
"Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão." (Isaías 40:31)
sábado, 24 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
![]() |
| Foto retirada do blog: http://tatyconquistando.blogspot.com/2011/03/abraco.html |
Bordei minha felicidade, com os beijos daquele moço...
E a cada toque dele, se abria mais meu coração.
Pintei dias bonitos com o sorriso daquele menino, que passou a morar no meu peito, e trouxe pra minha vida mais flores e mais sol.
Colhi alegrias cada vez que os olhos dele pararam nos meus.
Brilhei inteira, com uma luz que vinha lá da alma.
Senti cheiro de paz. De tranquilidade.
Ele guardou no bolso dele as esperas, a saudade, e as lágrimas que doíam.
E me jurou nunca mais me devolver. Daria fim nelas. E um começo lindo pra nós dois, todos os dias. A noite foi chegando, e eu amanhecendo dentro do abraço dele!
(Karla Tabalipa)
domingo, 4 de setembro de 2011
Menina
“Certas coisas me fazem ver que, não importa o quanto eu tente mudar, disfarçar, crescer, eu ainda sou menina, tenho muito que aprender.”
(Luana Camargo)
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
"Dizem que sou louco..."
"Eu gosto mesmo é de gente louca, esquisita, e não de gente fajuta.
Gosto da cabeça bagunçada, do maluco beleza, e não de santinho do pau oco hipócrita."
(Fernanda Estellita)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Você, você, você, você, você
Bom, resumindo é isso: você, você, você, você, você. Mas se você não me quisesse de verdade, já teria me falado alguma coisa. Mas como a gente mal troca uns resmungos e cumprimentos formais, a hipótese fica aberta. Sabe, estou sempre sentado estrategicamente a 30° de inclinação do eixo do meu mundo, que ultimamente, não sei a causa, tem sido você.
Daqui da janela faço as contas sobre quantas vezes você refaz a trança nos seus intermináveis cabelos cor-de-sol. Observo daqui cada vez que a alça delicada das suas blusas descobrem a pele branquinha e sardenta do ombro, o mesmo ombro que você faz questão de manter sempre erguido, pra no caso de uma borboleta resolver pousar, quem sabe.
Quando você fica muito tempo sem olhar para os lados, me distraio olhando um pouco o movimento da rua, tentando mudar a paisagem a fim de evitar ter um treco e morrer de overdose no meio da sala de aula. Vez que outra, me ponho no meu lugar, e daqui mesmo sussurro toda minha paixão esfuziante por você, pequena.
E acabo achando graça em constatar que isso começou quando notei que você era a última pessoa que ainda come aqueles salgadinhos integrais de queijo em todo o campus. Você tem um jeitinho de falar bonito que fica ainda mais bonito porque não o desperdiça debatendo por que os homens são tão ruins em se comprometer. Você quer saber de outras coisas, como aqueles livros que ninguém mais tem coragem de remover o pó, na biblioteca - aliás, estou juntando forças pra perguntar, hora dessas: "Os Sofrimentos do Jovem Werther" é realmente bom?
Daqui da janela faço as contas sobre quantas vezes você refaz a trança nos seus intermináveis cabelos cor-de-sol. Observo daqui cada vez que a alça delicada das suas blusas descobrem a pele branquinha e sardenta do ombro, o mesmo ombro que você faz questão de manter sempre erguido, pra no caso de uma borboleta resolver pousar, quem sabe.
Quando você fica muito tempo sem olhar para os lados, me distraio olhando um pouco o movimento da rua, tentando mudar a paisagem a fim de evitar ter um treco e morrer de overdose no meio da sala de aula. Vez que outra, me ponho no meu lugar, e daqui mesmo sussurro toda minha paixão esfuziante por você, pequena.
E acabo achando graça em constatar que isso começou quando notei que você era a última pessoa que ainda come aqueles salgadinhos integrais de queijo em todo o campus. Você tem um jeitinho de falar bonito que fica ainda mais bonito porque não o desperdiça debatendo por que os homens são tão ruins em se comprometer. Você quer saber de outras coisas, como aqueles livros que ninguém mais tem coragem de remover o pó, na biblioteca - aliás, estou juntando forças pra perguntar, hora dessas: "Os Sofrimentos do Jovem Werther" é realmente bom?
Eu sei que você vai a festas também. Mesmo sonhando, é bem complicado conhecer alguém em páginas de literatura. Mas ultimamente as festas tem sido tão ruins que a parte mais badalada é quando, no seu quarto, você forma um arco-íris de vestidos em cima da cama. E testa cada um frontalmente, dependurando o cabide sobrepondo o sutiã de algodão, sempre sem enchimentos artificiais, com muito orgulho.
E para um pouco em frente ao espelho de corpo inteiro, com as pernas tortinhas e os pés bem juntos, modelando tudo. Mas não pergunta coisas como se existe alguém mais bela, você já sabe que sim. Fica li, desafiando você mesma, querendo saber o que, afinal de contas você quer. Não pra essa noite, mas pro resto da vida. Mas é só uma suposição, nunca estive lá, só gosto de imaginar assim.
Às vezes, você tem uma coisa, sei lá, de achar que está com falta de ar. E obriga o colega próximo a medir seus pulsos todo assustado. É que ninguém mais sabe que seu corpo exige atenção especial - até que é engraçado. Sabe, não sei tudo que você quer, mas sei que você pede quieta para, pelo menos uma vez, que um rapaz faça sexo contigo totalmente apaixonado. Que eu vou trabalhar duro pra ser esse rapaz, disso eu sei.
Por esta razão fico à espreita, te esperando descruzar os braços. Isso, vai, anda com os ombros sempre bem erguidos. Faz a borboleta ter vontade de pousar. E você nem desconfia que agora mesmo existe alguém de olho em coisas que nem você sabe. Alguém que sonha um dia te contar sobre seus próprios segredos - esses capazes de deixar qualquer um com toda vontade de pousar no seu ombro. E te adorar com todos os dentes.
(Gabito Nunes)
sábado, 20 de agosto de 2011
Sensatez
Cirurgia de lipoaspiração?
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode. Envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas…
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode. Envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas…
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
(Herbert Vianna)
domingo, 31 de julho de 2011
"Vem, cara, me repara"
Pode vir, sem medo. Já lhe abri a porta, basta entrar.
Venha, não fique aí parado. Já disse, não precisa ter medo. Dizem que sou forte, mas só quando necessário. Não vou lhe machucar. No fundo, sou mesmo menina. Preciso que venha pra cuidar de mim.
Venha, não é difícil, nem sou assim tão misteriosa quanto pareço. Sou transparente, mas só para quem merece ver. E eu sei que você merece, sei que você quer. Sei, porque somos iguais. Pequenos.
Venha, sei que quer entrar. Me tome, beba, engula.
Veja, tudo isso é meu, mas posso repartir. E escolhi você pra isso.
Não se esconda. Nem me esconda. Participe. Faça. Seja. Viva também em meu mundo. Me deixe viver o seu. E não se perca de mim, dentro de ti. E não se perca de ti, dentro de si próprio, nem se perca em mim.
Viu, não sou tão complicada. Não vivo de segredos. Só de mim. Do meu mundo, que pode ser seu, se quiser. Assim como quero que você seja meu, seja dele, viva em mim, viva nele, viva em si próprio, sendo assim, quem és, sem segredos, sem esconderijos.
Venha, sei que quer entrar. Me tome, beba, engula. E se tome, se beba, engula. Sacie-se para me saciar.
“Só não se perca ao entrar no meu infinito particular.”
(Luana Camargo – Última frase retirada da música de Marisa Monte)
Medo
Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar às aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.
(Fabrício Carpinejar)
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Pulsante
A menina sabia o que estava acontecendo, mas não podia parar. Ela ia, caminhava, tentando se distrair e disfarçar a dor. Ela precisava de ajuda e sabia disso, mas não queria. Admitia que chorar era um mal necessário, mas dentro de si havia uma paz e uma alegria que soavam ironicamente.
E continuava andando sem saber pra onde estava indo. Só importava ir, não parar. Deixava o rastro de seu sangue pingando pelo chão. Ao redor parecia deserto, vazio. Sentia-se sozinha.
Ele à tinha tomado nas mãos. Ele havia pego o seu melhor. Ele recolheu seu coração com mãos acalentadoras e, um belo dia, o esmagou. Agora ele estava ali, nas mãos da menina, que já não o sentia pulsar dentro de si, mas podia ver, podia ouvir.
Ela não sabia o que fazer. Sozinha não podia, mas não havia ninguém que parecesse saber realmente como ajudar. Muitos tentavam estancar a ferida, mas o curativo ensopa e o sangue volta a pingar.
Então a menina resolveu que é hora de parar. Senta-se no chão. Desembrulha o coração. Observa. Ele pulsa, tentando e querendo resistir. E ela, que não sabe o que fazer, continua ali, só olhando.
E ele pulsa, forte, quase um grito de desespero, sabendo que esse é só o começo. Ele vai voltar pra dentro dela, vai sorrir com ela, e ela vai desejar que ele pare outras vezes.
Luana Camargo
Dedico a ela. E a todas que se sentem assim. Porque só nós sabemos quão forte é a nossa dor.
domingo, 17 de julho de 2011
Paixão de vinte minutos
E me chega assim, e se senta aqui, e me olha assim. E toma nas mãos o principal motivo que chamou minha atenção: violão! E vai, de mansinho, começando bem baixinho, pra que só eu possa ouvir. Na hora me ganha. Não é preciso mais nada. Dispensa qualquer coisa que poderia ser dita. Fecho os olhos e parece que nada mais existe. Só eu e o som. A música.
O coração começa a bater ritmado, compassado. O sangue começa a falar mais alto e logo reconheço. Não sei como, mas acertou. O mistério, o instrumento, a música.
Abro os olhos e é quase impossível me controlar. Vontade de ficar ali, pra sempre. E é quando me surpreendo novamente, ao ouvir a sua voz. E que voz! De onde você veio, para onde você vai? Posso ir também?
E no meio da multidão, você some. Vamos, separados, outros lugares. Temos que ir. Pra onde? Volte e toque, como nunca tocou antes. Toque mais, toque sempre! Pra que eu possa ouvir. Mas você não está mais. Miragem?
Ainda assim, pelo resto do dia eu pude ouvir. O som, a música, a voz.
Flamenco!
(Luana Camargo)
Assinar:
Postagens (Atom)









