domingo, 17 de abril de 2011

Verdades

Essa noite eu escrevi o nome dele em um papel, em letras grandes. Olhei, mas nem pensei muito. Guardei por um momento. Fui fazer outras coisas.

Mas essa noite eu escrevi o nome dele não para guardá-lo, como já fiz uma vez e, por sinal, ainda tenho. O velho bilhete em folha sulfite declarando o que eu sentia (e ainda sinto e acho que sempre sentirei). Não. Hoje o bilhete, o papel, não era romântico. Era um pedaço pequeno, representando exatamente o que eu sinto por ele. Algo pequeno, que não pode me afetar tanto. Ou, ao menos, o que eu quero que seja. Não quero que passe de um papel retirado de um bloquinho de anotações, daqueles que a gente leva na bolsa ou ficam ao lado do telefone. Aqueles que servem unicamente para anotações e, logo após o uso, são jogados fora, amassados, picados.

É isso. Até o pouco que sinto por ele tem que ser amassado, picado, jogado fora. Eu sei que não é algo que vai me fazer bem. Como alguém que nada tem haver comigo pode me fazer bem? Como que alguém que é/faz coisas completamente contrárias aquilo que eu sempre achei legais em um cara pode me fazer pirar como já fez? Como, (nossa!), como alguém que durante meeeeeses eu insisti dizendo que não dava a mínima, que nunca rolaria nada, que só gostava de conversar, como, de repente, eu fui me deixando levar? Eu não sou assim. O que aconteceu comigo? O que está acontecendo?

Logo eu, que sempre tive um “nível” tão alto para me interessar por alguém, sempre fui tão exigente. Ultimamente tenho me decepcionado comigo mesma. Como meu gosto caiu. Como meu padrão mudou. Como qualquer coisa que aparecer na minha frente eu já fico imaginando e fantasiando. Como eu fiquei boba. Ao invés de amadurecer, parece que estou desamadurecendo. E não estou falando de beleza física, não. Nem posso. Sonho, sim, com o príncipe encantado, loiro, alto, olhos azuis. Mas não é disso que estou falando. Falo daquela coisa clichê chamada “beleza interior”. Uma pessoa ser legal, bacana, alegre, expansiva, de uma maneira que dê para ter uma conversa gostosa. Sim, isso é legal. Mas falta algo. Falta honestidade. Falta INTEGRIDADE. Falta um olhar menos malicioso por qualquer coisa que se faça. Falta uma conversa sem outras intenções. Uma conversa onde você realmente possa ser você, sem que a outra pessoa esteja só esperando uma brecha pra cair em cima. Falta uma mão no ombro, ao invés de cintura. Falta um olhar atento e preocupado.

Sabe do que senti falta essa semana? Sabe o que me fez acordar e perceber que burra estou sendo insistindo nisso tudo? Eu estar quase chorando e, quem eu menos esperava, perceber. Quem eu pensei que perceberia (ou será que eu QUERIA que percebesse?) não deu a mínima. Nem notou quão mal eu estava. Muito menos percebeu o motivo.

Não. Definitivamente não é isso que eu espero. Espero que o cara que realmente seja O CARA olhe pra mim e perceba quando estou mal, que alguma coisa está errada. Que minha expressão não é a mesma de quando eu o vejo. Que não o olhei igual, não lhe dei a mesma importância de sempre. Que posso chorar a qualquer momento. E quero que ele se sensibilize com isso. Não que ele sente ao meu lado e chore junto, mas que ele venha procurar saber o que é. DIRETAMENTE COMIGO! Sem sair perguntando para os outros. Que ele me olhe nos olhos. Que ele pergunte o que houve. E que, se eu não quiser lhe falar, ele simplesmente me abrace, pra que eu saiba que posso chorar sem me envergonhar. E que ele permaneça ali, por mim. Pra querer me ver bem depois que eu soluçar. Pra me fazer sorrir de novo.

E é aí que eu vejo que esse não é ele. Pra ele foda-se se eu estou chorando, dane-se o motivo. Aliás, se o motivo for ele, então, “uhuull, tá com a bola toda, hein?!” Não, meu caro, não está com tudo isso. Eu é que sou assim. Eu é que me importo demais, dou valor demais, me APEGO fácil demais. Eu é que me menosprezo demais e, por isso, choro demais. Não é que você seja “tudo isso”, mas EU É QUE NÃO ME SINTO “NADA DISSO”!

Mas tenho para mim que meu nível caiu tanto porque realmente eu não acho que tenho valor. Logo, como atrair alguém que seja o sonho de consumo de toda garota/mulher? Não, meu subconsciente deve ter pensado: Qualquer coisa que aparecer dando mole tá de bom tamanho. Aí eu caí em minha própria armadilha. Mas quero me soltar dessa teia. Não, chega, não quero mais. Por mais que alguns digam pra eu ir em frente, só eu sei o que está se passando em minha cabeça, a confusão em que ela gira. Preciso desligar. Preciso de algo tranqüilo, calmo, como era com o outro, por quem eu continuo esperando. Alguém que me aceite como a menina que eu sou e que não espere de mim um mulherão sexy só porque tenho pernas grossas. Alguém exatamente como eu acho que não sou capaz de conseguir.

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo. Com sabor de fruta mordida.” (Cazuza, ah, como te admiro e como queria ter te conhecido!)

Ps.: Víni, obrigada por querer me bater! Rsrs Por favor, continue assim pra sempre! (:

Ps².: Fui rasgar o papel e jogar no vaso sanitário (como me falaram! rsrs). Com licença. ;)

(Luana Camargo)


sábado, 16 de abril de 2011

Quem você quer ser?


Por Letícia Willveit Barbosa. (Saudades, amiga...)

Cansaço...


Não me engane, não me engane. É só o que eu peço. Não minta pra mim, com palavras, com olhares, com gestos, com intenções falsas. Não. A última coisa que eu preciso são mentiras “bem intencionadas”, aquelas que as pessoas mentem pra nos fazer sentir bem. Não. Sem pena, sem piedade, sem dó de mim. Sem me iludir, sem me enganar, sem fingir que gosta quando não gosta, que acha quando não acha. Fala a verdade, joga tudo na minha cara. É claro, eu vou chorar, pois choro por qualquer coisa mesmo. Mas há de ser o melhor, sem dúvida.

Não quero mais me iludir por palavras, por “achometros”, por fantasias que eu mesma crio. Não. Acho que já percebi meu lugar no mundo e vou me reter a ele. Quieta. Sem nem pensar em querer, em gostar, em falar, em SENTIR. Esse último, muito menos. Não quero sentir. Vou providenciar uma anestesia geral, pra que eu não sinta mais nada: dor, medo, mágoa, raiva... amor, carinho, afeto, apego. Nada. Sendo bom ou ruim, não quero sentir. Até porque todo sentimento bom, quando se trata de mim, se torna ruim. Amor vira raiva, carinho vira mágoa, apego vira... nojo (?).

Se não posso ter aquilo que eu quero, que pelo menos eu não tenha o que eu não quero.

Luana Camargo

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Egocentrismo


Me deixa ser egoísta. Me deixa fazer você entender que eu gosto de mim e quero ser preservada. Me deixa de fora de suas mentiras e dessa conversa fiada. Eu sou uma espécie quase em extinção: eu acredito nas pessoas. E eu quase acredito em você. Não precisa gostar de mim se não quiser. ... Não me diga nada. (Ou me diga tudo). Não me olhe assim, você diz tanta coisa com um olhar. E olhar mente, eu sei! E eu sei por que aprendi. Também sei mentir das formas mais perversas e doces possíveis. (Sabia?) Mas meu coração está rouco agora. GRAVE! Você percebe? Escuta só como ele bate. O tumtumtum não é mais o mesmo. Não quero dizer que o tempo passou, que você passou, que a ilusão acabou, apesar de tudo ser um pouco verdade. O problema não é esse. Eu não me contento com pouco. (Não mais). Eu tenho MUITO dentro de mim e não estou a fim de dar sem receber nada em troca. Essa coisa bonita de dar sem receber funciona muito bem em rezas, histórias de santos e demais evoluídos do planeta. Mas eu não moro em igreja, não sou santa, não evoluí até esse ponto e só vou te dar se você me der também.

(Fernanda Mello)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vazio...



- O que você tem?

- Nada.

Não tenho nada. Definitivamente.

Não tenho corpo, não tenho alma, não tenho espírito.

Sou um coração pulsando.

Sangrando.

Luana Camargo

domingo, 3 de abril de 2011

A melhor explicação que eu já ouvi


- Mãe, como você me fez?

- Eu te desenhei, filho.

- Você me desenhou? – o irmão mais velho ri. – Então porque ele tá rindo?

- Porque ele é bobo. Eu te desenhei!

- Mas a menina na escola falou que a cegonha deu ela pra mãe.

- Mas eu já disse que eu te desenhei e pronto!

- Mas mãe, e o meu pai, fez o que?

- Seu pai te pintou.

- Pintou?! Como que ele me pintou?

- Oras, você não tem o giz de cera que você leva pra escola? Ele te pintou com o giz.

- De giz? Xii, não sei não, vou ter que perguntar pra professora.


(Conversa que ouvi no trem)


Luana Camargo

sábado, 2 de abril de 2011

Fragrância


Ele passou ao meu lado, rápido, e um vento leve tocou meu braço. Um cheiro, seu cheiro, não um perfume, mas um cheiro próprio, levemente adocicado, pousou em meu ombro. Eu o olhei e fiquei... Senti.


Luana Camargo