Não me privo da liberdade de falar o que penso, não temo o julgamento alheio e respeito opiniões contrárias as minhas. As únicas exigências que faço é que também respeitem meu ponto de vista e não queiram modificar meus pensamentos. Se isso vier a acontecer um dia não será por algo que alguém me falou, e simplesmente porque eu mudei, talvez tenha evoluído ou passei a enxergar o mundo de maneira diferente.
E é por isso mesmo que afirmo: eu detesto o carnaval. E há vários motivos para isso. E, exatamente por isso, quiseram me crucificar, tal qual fizeram com Cristo, por falta de entendimento.
Que tal, então, começar esclarecendo o que é o carnaval? Muitos pensam que faz parte da história do nosso país, que é algo cultural. Pobres de conhecimento, não sabem que o carnaval surgiu há mais de 3 mil anos, na Grécia Antiga, cultuando ao deus Dionísio (deus da bebida). Na época, as primeiras seguidoras desse deus e, assim, dessa festa, foram as mulheres, que viram nessa época a oportunidade de fugir de seus maridos e “cair na folia”, pintando seus rostos, usando vestimentas transformadas ou rasgadas, cantando e gritando loucamente. Não muito tempo depois, os homens também aderiram a essa “festa”.
Posteriormente a Igreja Católica se manifestou, determinando que a festa pagã que prega a liberalidade e os excessos ocorresse 47 dias antes da Páscoa, como “tempo da carne”, onde era permitido se exceder e ceder aos desejos carnais. Passado esse período, (que vai do 52º domingo antes da Páscoa até a quarta feira de cinzas), até a chegada do símbolo da ressurreição de Cristo, os cristãos deveriam “repensar suas vidas”.
Agora perceba a incoerência desta “festa”. Faça o que quiser fazer, ceda aos instintos, afinal depois você terá muito tempo para pensar sobre as besteiras que fez. Não há como gostar de algo do gênero, tampouco considerar isso como cultural. E foi por defender tal ponto de vista que fui até mesmo chamada de “moça da Europa”, fui tida como pessoa que desvaloriza o próprio país, a própria história e cultura.
Cultura, a meu ver, agrega valores, ensina, orienta. Cultura é comemorar o Dia do Índio, o Dia de Zumbi dos Palmares, o Dia da Bandeira, da República, da Independência. Cultura é conhecer a história de Tiradentes, da Princesa Isabel, saber os motivos pelos quais ambos lutaram. História é a Semana de 22, música é Tom Jobim, Chico Buarque, Vinícius de Moraes. Tudo isso (e ainda muito mais) é a verdadeira cultura brasileira, é a história de um país que me dá orgulho.
Porque, então, deveria eu valorizar algo como o carnaval, que não agrega, que só destrói, que rebaixa o valor do ser humano? Porque deveria considerá-lo algo cultural? Haveria, então, os alemães, que valorizar o nazismo simplesmente por fazer parte da história de seu povo? É óbvio que não! É errado, é muito errado!
Podem me chamar de careta, quadrada, religiosa-extremista, “santinha” ou até mesmo “pseudo-intelectual”, não me importo. Talvez eu seja mesmo de outro planeta ou evoluída demais para que acompanhem meu raciocínio, não sei. Não sou contra a alegria, a cultura do frevo e dos bonecos de Olinda, por exemplo. Sou sim completamente contra a vulgaridade e promiscuidade que se promove durante essa época do ano e que, infelizmente, a cada dia que passa, é considerada mais comum.
(Luana Camargo)

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